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20 de Setembro de 2011
Agricultores do município de Feijó, no Acre, percorrem a Interoceânica para ver impactos da estrada
Julie Messias / IPAM Rio Branco
Agricultores do município de Feijó, no Acre, percorreram cerca de 800 km da estrada Interoceânica para conhecer os impactos sociais, econômicos e ambientais provocados pelo asfaltamento da estrada e o tipo de sistema agrícola que é realizado na região. A expedição foi realizada no período de 13 a 18 de setembro pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) com apoio, no lado peruano, do Serviço de Sanidade Agrária do Peru (SENASA).
Foram 7 dias de viagem, desde a saída de suas comunidades em Feijó, até o ponto mais distante que chegaram, o município de San Gaban no Distrito de Puno (Peru). O diferente cenário conhecido como Pampa encantou os expedicionários que, além da beleza, identificaram a dificuldade da prática da agricultura devido ao relevo acidentado da região.
Ainda no Acre, os agricultores conheceram as iniciativas do governo em valorizar o homem do campo, visitando fábricas situadas no município de Xapuri. Os agricultores ficaram impressionados com o trabalho realizado em parceria com os seringueiros e comunidades do entorno. Um dos agricultores se emocionou ao ver o fruto do trabalho com a seringa transformado em uma fábrica que valoriza o trabalho do seringueiro. “ Eu, filho de seringueiro, trabalho desde os meus 5 anos de idade quando meu pai já me levava para extrair borracha. Nunca imaginei ver nosso trabalho reconhecido como vi nessa fábrica, só falta agora uma dessas em Feijó”, declarou Francisco Olímpio da Silva, de 64 anos.
Já no lado peruano os agricultores visitaram propriedades nos municípios de Iñapari, Iberia, Alegria, Planchon, Puerto Maldonado e Mazuko, onde ouviram relatos dos agricultores peruanos sobre os benefícios e problemas ocasionados pelo asfaltamento da estrada Interoceânica.
Para o agricultor Benedito Vagner, da comunidade Nova União, a viagem foi uma forma de visualizar o que pode acontecer com eles quando o asfalto da BR-364 for concluído. “A atividade proposta pelo IPAM nos possibilitou conhecer os dois lados da pavimentação da estrada, o positivo e o negativo. Ouvimos dos agricultores sobre a dificuldade em escoar seus produtos que, antes do asfaltamento da estrada levavam cerca de três dias para chegar na cidade e agora levam apenas algumas horas. A comunicação com outros lugares também melhorou, mas infelizmente também ouvimos sobre os impactos negativos como os rios secos, desflorestamento, contaminação dos solos e rios e os conflitos por terra. O que espero é que o lado bom prevaleça na nossa região, agora que sabemos o que nos espera, vamos tentar evitar que o pior aconteça”.
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- Tags: Agropecuária , Infraestrutura
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