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11 de Maio de 2009

TIs e Resex estocam carbono na Amazônia

Maura Campanili

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Um estudo inédito do Instituto de Pesquisa da Amazônia (IPAM) revela que 15 bilhões de toneladas de carbono estão estocadas em Terras Indígenas e Reservas Extrativistas (RESEX) localizadas na Amazônia brasileira. Isso equivale a 30 % dos 47 bilhões de toneladas de carbono estão fixadas nas florestas da região. Atualmente, o remanescente da floresta amazônica brasileira é de aproximadamente 330 milhões de hectares.

Os estoques de carbono nas áreas estudas equivalem a oito vezes o esforço mundial para evitar as emissões de gases do efeito estufa previstos na primeira fase do Protocolo de Quioto (2008 – 2012).

O estudo foi divulgado nesta terça-feira em Brasília em durante o seminário: Desmistificando REDD: fortalecendo a participação dos povos indígenas e tradicionais nas discussões sobre mudanças climáticas.

O evento reúne cientistas e líderes indígenas e de comunidades extrativistas em torno das discussões sobre o papel dos povos que vivem nas florestas e a participação dessas comunidades nas negociações internacionais sobre os mecanismos que sucederão o Protocolo de Quito após 2012.

Um dos mecanismos a serem definidos na conferência do clima da ONU em Copenhague em dezembro deste ano é o REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação). Trata-se de um mecanismo para evitar a emissão de carbono decorrente da derrubada e queima das florestas e combater o efeito estufa.

Somente no território brasileiro, índios e populações tradicionais são responsáveis pela preservação de cerca de 1 milhão de km2 de florestas tropicais. As decisões internacionais referentes às compensações pela manutenção da floresta em pé previstas no mecanismo REDD afetarão diretamente indígenas, extrativistas e ribeirinhos.

O estudo que mostra a importância das áreas indígenas na captura e manutenção de estoques de carbono foi solicitado pelas lideranças indígenas e de comunidades tradicionais no ano passado ao IPAM, que apoia as populações da floresta nas discussões sobre clima e desmatamento visando os acordos internacionais. Criadas inicialmente para preservar a cultura e a estrutura social dos povos indígenas, as Terras Indígenas têm atualmente um papel de destaque na conservação da biodiversidade amazônica e na estocagem de carbono, por evitarem as emissões potenciais associadas aos gases do efeito estufa.

Variações nos estoques

O mapa gerado pelo levantamento indica que as áreas indígenas e de Resex tC/há estocam em média 120 – 150 tC/ha.

“Uma das evidências do estudo é a importância das comunidades tradicionais na manutenção do clima global. O fato de eles manterem a floresta em pé os torna potenciais beneficiários dos acordos internacionais que definirão a distribuição dos recursos financeiros internacionais para o enfrentamento das mudanças climáticas”, afirma Paulo Moutinho, coordenador de pesquisas do IPAM.

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