Clima e Floresta

Home » Edição 07 - 01/10/2008 » 60

Agricultura no MT 3: Terras Indígenas e REDD

“Nós não conseguimos ver o carbono, é fumaça, é isso? A gente vê que a queimada que fazíamos antes para preparar o roçado agora está muito mais difícil de controlar. Vemos mudanças nas rotinas dos animais e das plantas, mas não conseguimos entender como o carbono está causando tudo isso”, questionou Winti Kïsêdjê, que mora na Terra Indígena Wawi, no Parque Indígena do Xingu. Na tentativa de explicar para as oito etnias presentes ao encontro “Mudanças no Clima e a Agricultura de Mato Grosso: impactos e oportunidades” como o aumento da quantidade de carbono na atmosfera terrestre pode estar influenciando o aumento da temperatura do planeta e de que forma as árvores podem ajudar a retirar esse elemento do ar, o coordenador do Programa Xingu do ISA, André Villas Boas, fez uma pequena palestra ao grupo. Aprofundando o conhecimento sobre os impactos, o grupo indígena conseguiu entender que a ferramenta de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), é uma oportunidade geração de renda com preservação das matas.

“Como já está provado que as terras habitadas pelos índios são freios contra o desmatamento, muitas empresas vão querer criar projetos de REDD para neutralizar as suas emissões de carbono. Ou seja, pagando para que os povos indígenas preservem suas florestas. Portanto fiquem atentos para as propostas”, explicou André Villas Boas, com a ajuda do pesquisador João Andrade, do Instituto Centro de Vida (ICV). Andrade é o co-autor, com Laurent Micol e Jan Börner, do estudo que levanta o potencial do Estado do Mato Grosso para uso da nova ferramenta. Segundo a análise que fizeram, o Estado poderia preservar até 25% da sua área de floresta recebendo dinheiro dos países industrializados.

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários com termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. » Conheça as regras para aprovação de comentários no site do IPAM