Clima e Floresta
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Chico Mendes 2 – O tributo
Durante a homenagem realizada em Poznan, as entidades que realizaram o evento (CNS, Coica e Coiab) divulgaram documento onde mostram a importância de Chico Mendes para a posição da Aliança dos Povos da Floresta da Amazônia Brasileira de defender a inclusão da redução do desmatamento nos mecanismos contra o aquecimento global. Segue a íntegra do documento:
“Em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes – seringueiro, liderança sindical, e ecologista – foi assassinado na sua casa em Xapuri, Acre, na Amazônia ocidental brasileira. A notícia do assassinato, diferente dos mais de 1.500 outros homicídios por pistoleiros a sindicalistas e líderes comunitárias no interior do Brasil nas décadas anteriores, se espalhou pelo mundo de forma quase imediata, e dois dias depois, saiu na capa do jornal o New York Times.
Havia uma década que o Chico liderava comunidades nas regiões mais isoladas da Amazônia em manifestações contra o desmatamento dos fazendeiros, para proteger a floresta que habitavam, numa luta que acabou custando a sua própria vida. Mas o Chico tinha visão suficiente para ver que a sua luta ia muito além do Acre e até da Amazônia. Ele viu que os seringueiros, castanheiros e as outras comunidades tradicionais, pobres e isolados, precisavam de uma alternativa ao modelo oficial injusto e destrutivo de desenvolvimento. Neste contexto, ele ajudou a criar o conceito de “Reservas Extrativistas” – florestas protegidas manejadas de forma sustentável pelas comunidades locais, colocando fim aos conflitos fundiários e criando serviços sociais locais. Fundou o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), para defender os interesses das comunidades tradicionais e transformar as Reservas Extrativistas em realidade. Ele também se aliou aos povos indígenas da Amazônia, superando décadas de conflito entre índios e seringueiros porque ele viu a necessidade dos povos da floresta se unir para salvar a base de suas formas de vida, juntando seringueiros e índios na Aliança dos Povos da Floresta da Amazônia Brasileira. Antes de Chico Mendes, os ambientalistas pensaram que os povos da floresta eram o problema. Chico mostrou que os povos da floresta eram a solução: “A gente era ecologista antes de escutar essa palavra,” diz ele em sua famosa frase.
Chico Mendes levou sua visão ao mundo para explicar aos políticos, cientistas e à mídia a importância global da luta local do seu povo. Por isso, sua morte não passou despercebida. Ele insistia sempre na necessidade da preservação da floresta ser aliada à viabilidade econômica para os povos da floresta. Foi nesse sentido que a Aliança dos Povos da Floresta da Amazônia Brasileira originalmente defendeu a inclusão do desmatamento no Protocolo de Quioto e foi esse princípio que norteou toda nossa participação nos fóruns da Convenção Quadro de Mudança Climática da ONU (UNFCCC) ao longo dos anos. A questão de Reduzir as Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal (REDD), atualmente sendo debatida na pauta da UNFCCC, em nosso entender, nasceu nos sonhos do Chico Mendes. O paradigma de REDD que nós precisamos necessita realizar esses sonhos: reconhecer o valor global da floresta e o bem global que a nossa luta assegura; acabar com o desmatamento; respeitar e honrar os direitos (inclusive fundiários) dos povos da floresta; criar as bases para a prosperidade que perdura para comunidades florestais; justiça social e integridade ecológica para os povos da floresta e os seus ecossistemas.”
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