Clima e Floresta
Home » Edição 05 - 01/08/2008 » 79
Discórdias explicitadas
Lançado em julho último, pela editora Senac, o livro “Aquecimento Global - Frias Contendas Científicas”, organizado pelo economista José Eli da Veiga, professor titular do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e um dos adeptos da Economia Ecológica, explicita na mesma publicação as duas correntes vigentes sobre as mudanças climáticas. A primeira, majoritária, defendida pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (IPCC, na sigla em inglês), grupo de mais de 2.000 cientistas de todo o mundo que analisam a literatura científica e técnica disponível e elaboram relatórios sobre a mudança no clima, que mostram alterações importantes no clima mundial por conta da atividade humana. E a segunda, de um grupo de cientistas que defendem exatamente o contrário: o clima mundial é muito complexo para que qualquer atividade humana possa influenciá-lo e é provável que o planeta entre em uma fase de esfriamento.
Mais do que conhecer os dois pontos de vista, o livro mostra que tomar partido, neste caso, é fundamental: “nada pode ser mais incoerente do que levar a sério as conclusões do IPCC e, simultaneamente, supor que o problema possa ser enfrentado mediante acordos internacionais do gênero do Protocolo de Quioto. Se o IPCC estiver mesmo com a verdade, todos os países do mundo, a começar pelos mais ricos e poderosos, deveriam enfrentar o problema como se estivessem diante de uma grande guerra, em vez de barganharem ridículas metas de contenção de emissões”, dizem José Eli da Veiga e Petterson Molina Vale, também economista formado pela USP, no capítulo “Economia e política do aquecimento global”. Defendem que, para conter e mitigar o aquecimento global aceito pelo IPCC, são necessários esforços e orçamentos muito maiores na área de ciência e tecnologia, principalmente para diminuir a dependência de combustíveis fósseis.
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