Clima e Floresta

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Esquimós detectam derretimento do gelo desde 1963

Em palestra realizada na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, o líder espiritual esquimó Angaangaq, da Groenlândia, contou que já em 1963 dois jovens caçadores chegaram a um das grandes paredes de gelo da região (com 7 km de extensão e 1,5 km de altura) e perceberam que havia água saindo da grande parece no mês de janeiro, em pleno inverno e com a temperatura de – 37º C. Segundo ele, quando retornaram a aldeia e relataram o acontecido, os anciãos pensaram que haviam bebido, até que outros caçadores foram até lá de comprovaram o fenômeno. Segundo o ancião esquimó, atualmente essa grande parede de gelo já retrocedeu entre 2 e 3 quilômetros. “Em algumas partes, só tem 100 m de altura e não mais 1.500 metros”, testemunhou.

“Meu povo vive ao lado do gelo há milhares de anos. Sei como funcionam as marés e o grande gelo, conforme os ciclos da lua, o que não está mais acontecendo. Em 2007, ficou tão quente na Groenlândia que o oceano se elevou 4 cm. Neste ano, quando eu estava em casa trabalhando no campo, durante 7 dias a temperatura mais fria à noite foi 18º C. Em um dia, chegamos a 35º C. Antigamente, quando eu era garoto, com 4º C tirávamos os casaco, pois já era muito quente para um esquimó”. Esse aumento da temperatura tem conseqüências várias conseqüências práticas na vida desse povo, segundo Angaangaq: “Não estamos mais conseguindo viver em nossos iglus, poruqe a neve fica muito molhada. Em janeiro, vou sair para caçar com cachorros, mas vou precisar levar barracas. Com isso, preciso levar mais cachorros e matar mais focas para alimenta-los”.

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