Clima e Floresta

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Mídia ainda falha na cobertura da mudança climática

Análise inédita de textos publicados em 50 jornais entre 2005 e 2007, lançada em janeiro último pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), com apoio da Embaixada Britânica, mostra que a cobertura da mídia sobre mudanças climáticas aumentou, mas falta explorar as causas e possíveis soluções para o fenômeno. A pesquisa “Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira” analisou 997 textos – entre reportagens, editoriais, artigos, colunas e entrevistas e apurou que o ritmo da cobertura se manteve crescente no período analisado, especialmente em 2007. No primeiro ano da pesquisa identificou-se um texto publicado a cada cinco dias. Essa média cresce para uma matéria a cada dois dias no primeiro semestre de 2007.

Segundo a pesquisa, a temática esteve mais presente nos veículos de abrangência nacional (Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, O Globo e Correio Brasiliense) e econômicos (Valor e Gazeta mercantil). Enquanto os 44 jornais de circulação regional contribuíram, na média individual, com 1,46% dos textos veiculados no período, os quatro veículos nacionais somados aos dois de cunho econômico contribuíram – também na média individual – com 5,95% das matérias publicadas.

Apesar do aumento na cobertura, o estudo mostra que a maior parte do material ainda carece de contextualização e apresenta possibilidades de aprimoramento. Do universo analisado, por exemplo, apenas um terço aborda as causas das mudanças climáticas e aponta soluções. Para Guilherme Canela, coordenador de Relações Acadêmicas da ANDI e responsável pela pesquisa, a mídia exerceu pouco sua função de monitorar as políticas públicas. Segundo o estudo, dos 997 textos analisados, apenas 3% levantam a responsabilidade do governo, 0,9% do setor privado e 0,25% da sociedade civil.

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