Clima e Floresta

Home » Edição 18 - 03/02/2010 » 180

Pecuária responde por metade das emissões brasileiras

Estudo elaborado por dez cientistas brasileiros e lançado em Copenhague, durante a COP 15, mostra que as emissões de gases de efeito estufa da pecuária bovina, entre 2003 e 2008, nos biomas Amazônia e Cerrado variaram entre 813 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2008 (menor valor) e 1,09 gigatonelada de CO2 equivalente em 2003 (maior valor). No resto do país, as emissões do setor variam entre 84 e 87 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Em termos gerais, os números representam praticamente a metade das emissões de gases de efeito estufa no Brasil.

O estudo, realizado sob a coordenação de Mercedes Bustamante (UnB), Carlos Nobre (Inpe) e Roberto Smeraldi (Amigos da Terra - Amazônia Brasileira), mostra que a maior contribuição às emissões da pecuária se deve ao desmatamento para formação de novas pastagens na Amazônia, que atinge em média três quartos do total do desmatamento neste bioma. No Cerrado, os pesquisadores detectaram que cerca de 56% do desmatamento no período resultaram também em implantação de novas pastagens.

Os pesquisadores analisaram as três fontes principais de emissão: desmatamento para formação de pastagem e queimadas subseqüentes da vegetação derrubada, queimadas de pastagem e fermentação entérica do gado. O estudo, porém, não considera emissões de solos de pastagens degradadas, da produção de ração de grãos usada no confinamento, do transporte do gado e da carne, e das unidades industriais dos frigoríficos, o que torna, segundo os cientistas, os valores “conservadores”.

Também não foi considerado o desmatamento para formação de pastagens em outros biomas, além da Amazônia e do Cerrado. Já nos casos das emissões das queimadas de pastagem e da fermentação entérica foram contabilizados dados para todo o país.

As conclusões do estudo também apontam para o potencial de redução de emissões de gases estufa oferecido pela pecuária no Brasil. O fato de quase a metade das emissões totais brasileiras de gases de efeito estufa se concentrarem em um único setor é a mais importante oportunidade de mitigação brasileira.

“O Brasil deve caminhar para uma agropecuária integrada ao ambiente tropical, científica e tecnológica que, ao mesmo tempo em que aumenta sua eficiência, diminui seu impacto ambiental, inclusive quanto às emissões”, sugere o climatologista Claros Nobre. Para ele, as opções de mitigação no setor são significativas e “não implicam o corte na produção atual” e ainda podem ser compatíveis com um aumento moderado da produção. As fontes da mitigação incluem a redução do desmatamento, a eliminação do fogo no manejo de pastagens, recuperação de pastagens e solos degradados, a regeneração da floresta secundária, a redução da fermentação entérica, a integração lavoura-pecuária, entre ourtras.

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