Clima e Floresta

Home » Edição 12 - 01/04/2009 » 7

Preço dos créditos de carbono e o REDD

REDD: potencial para diminuir emissões no curto e prédio prazos. (Foto: IPAM)

Acabar com o desmatamento seria uma forma rápida de reduzir as emissões globais e os mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação de florestas (REDD) têm o potencial para trazer reduções em curto e médio prazos, o que ajudaria a atingir metas que forem definidas no novo regime de proteção do clima, a ser negociado em Copenhague, em dezembro próximo. Essa é uma das conclusões de um estudo elaborado por especialistas da Nova Zelândia sob encomenda do Greenpeace e apresentado no final de março em Bonn, Alemanha.

O estudo, porém, defende que os recursos para reduzir o desmatamento devem vir de fontes que não sejam o mercado de carbono. Segundo o Greenpeace, se as florestas entrassem indiscriminadamente nesse mercado, o preço do carbono cairia até 75%, o que seria um entrave aos esforços para conter as mudanças climáticas.

Na opinião de Paulo Moutinho, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a discussão sobre a queda do preço do carbono, porém, está superada. “Há mais de dez anos o mesmo argumento de inundar o mercado de carbono com crédito barato de desmatamento reduzido vem sendo ocasionalmente levantado, apesar das inúmeras soluções apontadas ao longo deste tempo para o problema. O preço vai despencar se não forem adotadas medidas que limitem a comercialização dos créditos de REDD ou se as metas obrigatórias de redução de emissões assumidas pelos países ricos não aumentarem. Mesmo assim, estudos recentes do Environmental Defense Fundo (EDF) - e aparentemente ignorados pelo estudo do Greenpeace - demonstram que o impacto sobre o mercado não chegaria a 13%. É preciso levar em conta as soluções para o problema e não reeditá-lo de uma forma simplista como parece ser o caso”, diz.

A análise do EDF, divulgada em junho de 2008, leva em consideração vários cenários políticos e conclui que a inclusão de créditos de carbono florestais dos países em desenvolvimento, incluindo REDD, podem diminuir os preços dos créditos utilizados para o cumprimentos das metas de reduções dos países da União Européia e dos Estados Unidos em cerca de 13%. Uma política mais agressiva de aplicação de recursos em todas as atividades de proteção de florestas tropicais poderiam reduzir os preços em até um terço. No entanto, previsões de que os créditos florestais possam levar a preços de apenas um dígito parecem infundadas. Para Moutinho, “tomado os devidos cuidados, como não desatrelar este mercado a uma exigência de metas obrigatórias mais ambiciosas para os países desenvolvidos, os créditos de carbono parecem a melhor opção para salvar as florestas tropicais”.


Moutinho também não concorda com os dados do estudo que apontam que países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil, possam perder bilhões de dólares por ano em investimentos em tecnologias de energia limpa, porque o setor perderia interesse neles porque os créditos de floresta são mais baratos. “Do ponto de vista da atmosfera, redução de emissão é redução de emissão. Não importa se a molécula de carbono veio de queima de combustível ou de floresta. Certamente, não podemos desatrelar um programa de redução de emissões por queima de combustível fóssil (que é a mais deletéria) de um programa de redução de emissões por desmatamento. As coisas precisam ser casadas. Reduzir emissões de desmatamento agora poderia resultar em um custo menor para os países, incluindo os em desenvolvimento, com a redução de emissões de fósseis”, avalia.

Para o coordenador do IPAM, sem um mecanismo de mercado e dependendo apenas de doações, será difícil conseguir que REDD, no longo prazo, resulte em algo efetivo. “Além disto, países como o Brasil estariam perdendo uma oportunidade enorme, ficando fora de um mercado de REDD, de trazer divisas para o país e viabilizar um desenvolvimento não só baseado na produção agrícola ou de bens duráveis, mas também de serviços ambientais.”

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