Clima e Floresta

Home » Edição 08 - 01/11/2008 » 49

Risco climático para a agricultura brasileira

O clima no Brasil já está mudando com o aquecimento global e isso deve alterar a geografia da produção agrícola no País. As conclusões são de um estudo realizado pela Embrapa e pelo Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Universidade Estadual de Campinas (Cepeagri/Unicamp), publicado em agosto último. Um dos coordenadores do trabalho, Hilton Pinto, do Ceagri/Unicamp, disse, durante o seminário “Mudanças Climáticas: Cenários e Soluções para a Agricultura”, realizado no final de outubro pelo jornal Valor Econômico, em São Paulo, que a temperatura subiu 1º C em Pelotas, no Rio Grande do Sul, do século XIX até hoje. Na região de Campinas, em São Paulo, a temperatura mínima subiu 2,5º C nos últimos 119 anos. “Os estudos mostram que temos mais ondas de calor e menos temperaturas baixas no Brasil. Essas ondas de calor matam as plantas, que matam animais que delas se alimentam”, explica.

Segundo o pesquisador, o zoneamento climático no Brasil vem sendo realizado desde 1996, por cerca de 60 pesquisadores do todo o País, incluindo todos os centros da Embrapa e diversas universidades. “Não temos culpa das mudanças climáticas nem das plantas terem suas exigências. Apenas estudamos seus efeitos”, diz. Realizado para 31 culturas – a cana-de-açúcar deve entrar em breve -, o estudo mostra em que locais, levando em consideração fatores como temperatura e umidade, uma planta pode ser cultivada. Um exemplo de problema relacionado com o aumento da temperatura é o café: se for submetido à temperatura maior do que 32º C, perde a florada. Com as ondas de calor se tornando mais freqüentes em Minas Gerais, São Paulo e Paraná, essa cultura poderá ficar inviabilizada nesses estados e começar a migrar mais para o sul.

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